Katowice 2020

Czerwiec 26, 2008 - Dodaj odpowiedź

„Katowice, núcleo da exploração mineira na Polónia, está em grande desenvolvimento. Vivem na região mais de 5 milhões de pessoas. A cidade prepara a construção de um centro completamente novo para se transformar numa das 10 maiores áreas metropolitanas da União Europeia em 2020.”´

É com este texto que é introduzida a reportagem da euronews sobre Katowice e o processo de transformação por que está a passar. O plano é ambicioso e custa a acreditar que se possa tarnsformar uma cidade como Katowice num sítio atractivo para fixar pessoas. Quem conhece a cidade sabe que os edifícios são horrorosos e que não é nada de mágico quando comparada com a sua vizinha Cracóvia, por exemplo. Contudo, a Silésia é, desde há muito tempo um pólo mineiro e siderúrgico. Mas não só. A Universidade da Silésia consegue atrair muitos estudantes de toda a Polónia – o edifício da Faculdade de Direito que mostram na reportagem é capaz de causar muita inveja aos edifícios kitsh da Cidade Universitária de Lisboa! -, sendo mesmo uma das cidades mais jovens da Polónia. As minas ajudam, mas a Universidade tem conseguido impor-se. Katowice pretende agora modernizar-se radicalmente em termos urbanísticos de modo a fixar não só mais jovens como a criar mais empresas e mais empregos na região… Os jovens acham bem: afinal de contas Katowice pretende ser a décima área metropolitana da UE em 2020. As animações virtuais são promtedoras. Mas ainda faltam 12 anos…

Festroia

Czerwiec 6, 2008 - Dodaj odpowiedź

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Na sua edição de 2008, o Festroia, festival de cinema que conta quase 25 anos, vai homenagear o cinema polaco.
Este ano são mais de duzentos os filmes que vão ser exibidos nos excrãs do Fórum Luísa Todi e Auditório Charlot às quais se junta também o Instituto Português da Juventude.
Porque a produção do país é «pioneira num cinema que educou muitos jovens e muitos grandes realizadores europeus», a Polónia foi a escolhida para uma das homenagens deste ano. A abrir o Festival Internacional de Cinema de Tróia vamos ter a estreia em Portugal do filme Katyń de Andrzej Wajda, um dos candidatos ao Oscar para Melhor Filme Estrangeiro deste ano. Pelos espaços do festival e a assumir as funções de presidente do júri andará ainda o realizador polaco Andrzej Żuławski, que assinou a sua primeira longa-metragem, A Terceira Parte da Noite (Trzecia część nocy), em 1971, e com ela venceu o prémio de „melhor estreia” no Festival de Veneza. Żuławski iniciou a sua carreira no cinema como assistente de Wajda, no início da década de 1960, no filme Samson.
Para além da homenagem ao cinema polaco, este ano o erotismo vai aquecer as sessões do Festroia deste ano. À secção foi dado o educado nome de «Cinema de sedução» e nas películas exibidas estará um pouco da história de como o sexo tem vindo a ser retratado no grande ecrã. A não perder de 6 a 15 de Junho.

Irena Sendler (1910-2008)

Maj 12, 2008 - Dodaj odpowiedź

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Chamava-se Irena Sendler e foi uma heroína dos tempos da ocupação Nazi da Polónia. Morreu hoje aos 98 anos em Varsóvia.
Irena juntou-se à Resistência Polaca em 1940 e ajudou a resgatar do Gueto de Varsóvia cerca de 2500 crinaças. Durante dois anos e meio, Irena conseguiu fazer sair do Gueto adolescentes, crianças e bebés, muitos deles disfarçados sob a forma de pacotes, e enviá-los para o seio de famílias católicas, para orfanatos, conventos ou fábricas e assim salvar-lhes a vida.
Foi presa em 1943, torturada e condenada à morte mas foi salva pelo Żegota (Conselho de Auxílio aos Judeus – uma organização que ajudava os judeus na clandestinidade através de identidades falsas, dinheiro, esconderijos…) e viveu na clandestinidade até ao fim da Guerra, sempre trabalhando pelas crianças judias.
Irena esteve nomeada para o Prémio Nobel da Paz, mas o galardão nunca lhe foi atribuído.

A Terra dos Animais

Kwiecień 23, 2008 - Dodaj odpowiedź

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Faltam poucos dias para se completar o 4.º aniversário da Polónia na União Europeia. A minha curiosidade levou-me a rebuscar o meu arquivo e a desencantar uma revista – a saudosa Grande Reportagem – dedicada ao tema. Como quase todas as publicações da altura, também a Grande Reportagem se lançou nos retratos dos 10 novos países. A Polónia lá está, com uma reportagem inteirinha. O que diziam sobre a Polónia há 4 anos?
O título da reportagem não deixa adivinhar nada de bom: „A Terra dos Animais”. Vemos uma foto de duas páginas nas quais surge uma cabeça com longos cabelos louros e, ao fundo, um cavalo polaco (konik polski = cavalinho polaco) a pastar. O título explica-se dentro de momentos.
A reportagem não é feita em Varsóvia ou em Cracóvia. É a Zwierzyniec (zwierzę=animal; daí o título), uma cidadezinha perto de Lublin e não muito longe da fronteira com a Ucrânia, que o jornalista vai. O que há em Zwierzyniec? Há Maria Dziadosz, uma septuagenária que perdeu toda a família nos campos de concentração e que agora perdeu também o resto graças à emigração. O resto excepto o filho mais novo, a razão pela qual não foi visitar os outros filhos à Austrália: a embaixada em Varsóvia não concedeu visto ao filho de Maria, portador de trissomia 21. Perto de Zwierzyniec fica Zamość e o Parque Nacional de Roztocze, um dos 23 Parques Nacionais da Polónia (Portugal tem um: o da Peneda-Gerês). Há apostas no turismo, mas há os problemas do costume: costume lá e costume cá. Há a preocupação com a concorrência que a União Europeia vai trazer. A cervejeira Zwirzyniec foi comprada pelos holandeses da Heineken em 2002. O director de qualidade teme a concorrência dos Checos e dos Alemães, onde os custos de produção são cerca de um terço inferiores aos polacos: «o método é tradicional, a maquinaria é velha». A fábrica de mobílias foi comprada por alemães em 1995. Maciej trabalha lá e ganha cerca de 200 euros por mês. Tem uma plantação privada de cannabis, que, diz a revista, «fará dele porventura um dos principais agricultores da região». A reportagem é complementada com relatos do contrabando que é habitual na fronteira com a Ucrânia. Em 2004 ergueu-se ali como que um novo fosso. Agora já não estão juntos do lado de lá da cortina de ferro. Os ucranianos estão fora da UE e os polacos dentro. Quem diz os ucranianos diz os bielorrussos.
Fala-se ainda da intensa emigração polaca. Fala-se do desemprego endémico e dos baixos salários e fala-se do esforço em esticá-los durante um mês inteiro. O discurso é-me familiar. Desde 2004, a emigração… aumentou. Desta fez foram o Reino Unido e a Irlanda os destinos. Em Zwierzyniec houve apenas 10 agricultores que se candidataram a fundos comunitários. Diz Tadeusz Halasa: «A minha mulher frequentou todos os cursos e aprendeu como conseguir dinheiro da União Europeia». Tem uma microempresa e cria cavalos.
Desde então muito se tem falado dos fundos comunitários. Lá como cá. A Polónia foi, devido à sua dimensão, o grande ganhador dos milhões de Bruxelas no pacote 2007-2013 (lembram-se do «Yes! Yes! Yes!» do ex-primeiro ministro Marcinkiewicz?). Entretanto, o Campeonato da Europa de Futebol 2012 vem dar um empurrãozinho: fala-se de auto-estradas, fala-se de uma nova linha de metro para Varsóvia (ainda hoje foi aberta uma nova estação na linha (a única) que atravessa a cidade de norte a sul), fala-se de inúmeros investimentos… Quatro anos depois, olho as fotografias saloias que ilustram a reportagem e não consigo descobrir lá a Polónia que conheço. Mas algo está lá. Talvez subjacente a tudo aquilo esteja a Polónia que eu conheço e talvez mesmo o Portugal que me rodeia, numa mistura improvável. Afinal de contas, apesar de separados por 3000 quilómetros os Portugueses e os Polacos não são assim tão diferentes…

Zbigniew Herbert

Marzec 28, 2008 - Dodaj odpowiedź

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A pouco e pouco vou revelando os meus presentes de Natal (mesmo depois da Páscoa). Este presente é um óptimo pretexto para falar de mais um vulto das Artes e Letras da Polónia. O meu presente de Natal foi The Collected Poems, 1956-1998 (Ecco Press, 2007), um volume [na foto] que reúne todos (ou quase todos) os poemas de Zbigniew Herbert.
Herbert nasceu em 1924, em Lwów, actualmente na Ucrânia, e foi membro da resistência polaca (Armia Krajowa) durante a Segunda Guerra Mundial. Estudou Economia em Cracóvia, Direito em Toruń e Filosofia, primeiro em Toruń e depois em Varsóvia, mas vivia em condições precárias e tentava viver escrevendo críticas e alguns poemas para revistas e jornais. Só a partir dos anos 50 (com a destalinização) é que a sua situação mudou um pouco, o que lhe permitiu fazer algumas viagens (à Áustria, a França, Inglaterra, a Itália…) e assim estar em contacto com uma realidade muito diferente da que se vivia na República Popular da Polónia. Esse foi apenas o início. Herbert era apaixonado por viagens e passou longos períodos no estrangeiro (EUA, Alemanha…) embora nunca chegasse a emigrar definitivamente.
A poesia de Herbert é incisiva e inspiradora, sobretudo para os políticos do Solidarność. Embora desiludido com o regime do seu país, Herbert sempre foi de certa forma um patriota (razão pela qual ele se desentendeu com Miłocz, que recusava o patriotismo). Porém, se alguns dos poemas de Herbert foram traduzidos em inglês, Miłocz tem nisso uma quota parte de responsabilidade. Os poemas de Herbert são por vezes meditações sobre a natureza dos homens, fazendo uso de elementos mitológicos e heróis medievais. Contudo, ele „desmitologiza-os” tentando ultrapassar a barreiras culturais e temporais. Para ele o passado não está distante nem fechado, já que ele é fundamental para compreender o presente: é a medida do presente. Para a história da poesia de Herbert fica também o Senhor Cogito (Pan Cogito), que surge em vários dos seus volumes. Herbert escreveu igualmente ensaios e peças de teatro, tendo sido várias vezes apontado para o Prémio Nobel de Literatura.
Zbigniew Herbert morreu em Varsóvia, em Julho de 1998. O governo polaco declarou 2008 o Ano de Zbigniew Herbert, ano em que se completa o 10.º aniversário da sua morte.

Wielki Tydzień

Marzec 18, 2008 - Dodaj odpowiedź

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A Semana Santa chegou!! (Sim, Semana Santa em polaco diz-se Wielki Tydzień [Grande Semana], mas não me perguntem porquê). O ano passado estava na Polónia por esta altura (embora o mês fosse Abril) e foi muito bom ver como os polacos vivem fervorosamente esta última semana de Quaresma. Não vale a pena referir de novo tudo o que vi. Quem estiver curioso pode ler e ver tudo aqui.
O ano passado, curiosamente, mal falava polaco além daquelas coisas básicas que toda a gente aprende num dia: saudações, agradecimentos e insultos. Este ano, a Páscoa é passada cá, mas estou um tanto ansioso por voltar à Polónia e ver o resultadão que as aulas de polaco estão a dar. Até lá, contento-me em falar com polacos fora da Polónia (mas não é a mesma coisas, dado que estes são muito pacientes comigo). Lembro-me apenas de um episódio no aeroporto de Varsóvia, em que fui sozinho a um quiosque para comprar o jornal do dia da minha partida. Queria comprar a Gazeta Wyborcza, a quem todos chamam simplesmente Gazeta.
Eu: Poproszę Gazetę. [A Gazeta (= jornal), por favor.]
Senhora: Którą? [Qual?]
Eu: …
Senhora: …
Eu: Gazeta Wyborcza? [A Gazeta Wyborcza (= Jornal das Eleições).]
Senhora: Nie ma. [Não há.]
Isto foi dito por mim provavelmente sem a entoação que os casos pediam, e foi a coisa mais parecida com quotidiano na Polónia que experimentei. Minto. Uma vez comprei flores sozinho, mas obviamente não sabia dizer o nome das ditas em polaco (nem em português entendo nada de flores!), pelo que me limitei a apontar e a gesticular imenso. São pequenas anedotas para mais tarde recordar. Talvez a próxima Semana Santa seja passada lá. Veremos…
Em cima está um belo postal de Páscoa que me foi enviado. Um costume polaco, claro está!… Dzękuję

Katyń

Luty 25, 2008 - Dodaj odpowiedź

Katyń, o filme polaco nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, não ganhou.

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Wajda já tinha sido agraciado com o Oscar Honorário em 2000, depois de ter visto três dos seus filmes – Terra Prometida (Ziemia obiecana, 1974), As Mulheres de Wilko (Panny z Wilka, 1979) e Homem de Ferro (Człowiek z żelaza, 1981) – nomeados para a categoria de Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Esta nomeação tinha, porém, outro significado. Katyń é uma história, ainda hoje, mal contada sobre um grupo de oficiais polacos feitos prisioneiros pelas tropas soviéticas logo após a invasão da Polónia em 1939, fruto do Pacto Germano-Soviético. Os oficiais desapareceram e mais tarde foram encontrados os seus corpos numa vala comum nos arredores da vila de Katyń, actualmente na Rússia. O pai de Wajda foi um dos oficias. O filme tem pois um enorme valor simbólico quer para o realizador quer para a Polónia. A Rússia ainda hoje não admite claramente o crime.
Contrariamente a alguns filmes de Wajda, este é servido por um bom argumento e uma boa fotografia. A música de Penderecki ajuda muito. A acção é fluída e os actores, não haja dúvida, são dos melhores que há na Polónia. Tirando algum exagero desnecessário no final do filme – aquela câmara lenta, com a mão de Anna a virar as páginas do diário, aquele ritual mórbido de tiros na nuca… – Katyń é um filme que não se parece nada com Wajda sendo que tem tudo dele. Não se parece com Wajda no sentido em que é um filme sem sequências aborrecidas, e tem todo o patriotismo, a mágoa, a revolta e o grito amordaçado que Wajda queria incutir-lhe. Não ganhou, mas nem Wajda nem a Polónia saem de cabeça em baixo.
Obviamente, Katyń não vai estrear em Portugal, mas quem fizer uma visita à Polónia pode encontrar o DVD com legendas em inglês à venda.

Tłusty Czwartek

Styczeń 31, 2008 - Dodaj odpowiedź

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Para os mais distraídos, hoje é Quinta-Feira Gorda -Tłusty Czwartek em polaco – ou seja, é a última quinta-feira antes de se iniciar a Quaresma (Wielki Post). Este período é muito caro aos católicos já que têm uma óptima oportunidade para ficarem tristes e esfomeados até ser Páscoa. Portanto, a Quinta-Feira Gorda passou a ser o dia em que as pessoas se empanturram de bolos, doces e outras coisas do género, obviamente proibidas num período tão penoso como a Quaresma. Na Quarta-Feira de Cinzas – Popielec (poliół = cinzas) – começa o período de quarenta dias até à Páscoa, período que é muito levado a sério na Polónia, chegando algumas famílias a comer peixe todas as sextas-feiras até à Páscoa (e não só na Sexta-Feira Santa como é costume aqui).
Na Polónia, claro está, há bolos especiais para cada dia especial, e no dia de hoje os polacos comem pączki ou faworki. Um pączek é uma espécie de bola de Berlim, que pode ser recheada com doce de frutos ou, mais tipicamente, com compota de rosas. Comi uns quantos pączki na minha primeira visita à Polónia e não achei nada mau. Faworki são umas tiras fritas e polvilhadas com açúcar em pó. Aqui, à falta de melhor, há donuts

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Kalendarz Polski

Styczeń 29, 2008 - Dodaj odpowiedź

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Eis um dos meus presentes de Natal. Agora que já passou mais de um mês e que já ninguém se lembra disso, estou à vontade para começar a falar das ofertas que tiveram a generosidade de me fazer. Uma delas é este calendário.
É um típico calendário polaco. Senão reparem: tem o dia em grande destaque, o dia da semana escrito por baixo – wtorek é terça-feira – os dias dos santos imediatamente abaixo – hoje é dia de Hanna, Franciszek, Walerian e Zdzisław – sei que o sol nasce às 7:22 e se põe às 16:16 – pronto, isto não é válido para esta ponta da Europa porque já passa das 16:30 e o sol ainda lá está – a fase lunar é quarto crescente e o signo vigente é Aquário. Estamos no 29.º dia do ano e faltam 337 dias para o ano acabar. Como nota curiosa, posso também saber como se fazem receitas deliciosas ou se tiram nódoas difíceis com os pertinentes conselhos domésticos que se encontram no verso da página.
Espero receber um destes para o ano. Já não passo sem ele. Amanhã, segundo o meu calendário, o sol nasce um minuto mais cedo e põe-se dois minutos mais tarde. Conclusão: os dias estão mesmo a ficar maiores…

Gombrowicz

Styczeń 23, 2008 - Jedna odpowiedź

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Se este é – e acredito que é – um espaço para promoção da cultura polaca para os falantes de Português, então é necessário que se escreva aqui sobre algumas personalidades das artes e letras polacas – as outras áreas nunca me interessaram por aí além.
Começo com Witold Gombrowicz apenas porque estou a ler um livro dele. Gombrowicz é um escritor algo diferente dos restantes escritores polacos. Não tem absolutamente nada a ver com Sienkiewicz, com Miłosz ou com qualquer outro vulto das letras polacas. Gombrowicz é, por assim dizer, uma ruptura.
Gombrowicz quase nunca viveu na Polónia. Nasceu em 1904, formou-se em Direito, viveu uns tempos em Paris, voltou à Polónia e, no momento em que rebenta a Segunda Guerra Mundial, encontra-se em Buenos Aires: sem dinheiro e sem falar espanhol. Ficou na Argentina até muito depois da Guerra, trabalhando no Banco Polaco (PKO). Quando voltou para a Europa passou um ano em Berlim e depois foi para França, acabando por se fixar em Vence, no sul do país, onde morreu em 1969.
Gombrowicz, muito embora escrevesse em polaco, foi um autor quase desconhecido na Polónia até aos anos 70, já que ele não autorizou a publicação da sua obra no seu país natal até que fosse levantada a proibição ao Diário (no qual Gombrowicz descrevia os ataques de que foi vítima pelas autoridades polacas).
As sua obras mais importantes são Ferdydurke (1937), o romance que lhe trouxe o reconhecimento, Pornografia (1960) e Cosmos (1967), estes dois últimos publicados em Portugal.
O estilo de Gombrowicz caracteriza-se por longas análises psicológicas e um certo absurdo aqui e além. Gombrowicz explora o confronto entre jovens (imaturos e inexperientes) e velhos (transformados pela vida), a sociedade rural polaca e as máscaras e personagens que as pessoas compõem diante dos que as rodeiam. Há também em Gombrowicz uma certa obsessão com a forma, com o gesto, com o significado dos actos, com a relação entre os objectos, com o que de propositado há em cada acaso… nada é de facto um acaso.
Os livros de Gombrowicz disponíveis em Portugal são Pornografia (Relógio d’Água, trad: Aníbal Fernandes) e Cosmos (Vega, trad: Luíza Neto Jorge). As traduções foram feitas a partir das edições francesas. A tradução de Cosmos não me pareceu nada mal (em termos de fluidez e de funcionamento do texto, claro). A de Pornografia tem algumas falhas (traduzir pierogi como «ravioli» é o ponto alto). São dois livros que se assemelham muito, havendo certos pontos em que se tocam. Foram, de resto, escritos praticamente na mesma altura (anos 60), muito longe do irónico Ferdydurke, que revelou Gombrowicz como escritor.
Li algures que Gombrowicz é provavelmente o mais importante romancista do século XX de que a maioria dos leitores ocidentais nunca ouviu falar. Isto é bem capaz de ser verdade. E é-o absolutamente em Portugal. No Brasil não exactamente. Lá está publicado Ferdydurke… e traduzido directamente de polaco. Uma lacuna na edição em Portugal, que espero que seja resolvida…
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