Katyń, o filme polaco nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, não ganhou.
Wajda já tinha sido agraciado com o Oscar Honorário em 2000, depois de ter visto três dos seus filmes – Terra Prometida (Ziemia obiecana, 1974), As Mulheres de Wilko (Panny z Wilka, 1979) e Homem de Ferro (Człowiek z żelaza, 1981) – nomeados para a categoria de Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Esta nomeação tinha, porém, outro significado. Katyń é uma história, ainda hoje, mal contada sobre um grupo de oficiais polacos feitos prisioneiros pelas tropas soviéticas logo após a invasão da Polónia em 1939, fruto do Pacto Germano-Soviético. Os oficiais desapareceram e mais tarde foram encontrados os seus corpos numa vala comum nos arredores da vila de Katyń, actualmente na Rússia. O pai de Wajda foi um dos oficias. O filme tem pois um enorme valor simbólico quer para o realizador quer para a Polónia. A Rússia ainda hoje não admite claramente o crime.
Contrariamente a alguns filmes de Wajda, este é servido por um bom argumento e uma boa fotografia. A música de Penderecki ajuda muito. A acção é fluída e os actores, não haja dúvida, são dos melhores que há na Polónia. Tirando algum exagero desnecessário no final do filme – aquela câmara lenta, com a mão de Anna a virar as páginas do diário, aquele ritual mórbido de tiros na nuca… – Katyń é um filme que não se parece nada com Wajda sendo que tem tudo dele. Não se parece com Wajda no sentido em que é um filme sem sequências aborrecidas, e tem todo o patriotismo, a mágoa, a revolta e o grito amordaçado que Wajda queria incutir-lhe. Não ganhou, mas nem Wajda nem a Polónia saem de cabeça em baixo.
Obviamente, Katyń não vai estrear em Portugal, mas quem fizer uma visita à Polónia pode encontrar o DVD com legendas em inglês à venda.
